Sistematizar a informação relativa à coleção Kamayurá existente no Museu Nacional de Etnologia (MNE), em Lisboa, é uma das primeiras tarefas do projeto ‘InDigit: Os povos indígenas das terras baixas da América do Sul e a transição digital nos museus europeus’, que arranca em setembro.
‘Há fotografias que não têm qualquer informação contextual’, explica o investigador principal (PI) Rodrigo Lacerda (CRIA - NOVA FCSH / IN2PAST). A recolha de dados e materiais dispersos é, por conseguinte, uma prioridade, a fim de obter ‘informações o mais sólidas possível’.
A coleção do povo indígena Kamayurá, habitantes do Alto Xingu, Brasil, é composta por 40 objetos, mais de 200 fotografias e dois filmes. Os objetos estão minimamente identificados, foram fotografados profissionalmente e estão disponíveis, com algumas informações adicionais, na plataforma digital Matriz de inventário, gestão e difusão de bens culturais. As fotografias produzidas por Françoise e Victor Bandeira (1931-2024) durante sua estadia com os Kamayurá não estão organizadas nem identificadas.
Esta coleção foi reunida pelo colecionador de arte e colaborador frequente do MNE Victor Bandeira e pela sua mulher na altura, Françoise Bandeira, em novembro de 1964, durante uma expedição à América do Sul, realizada a pedido de Jorge Dias, então diretor do museu, com o objetivo de criar uma coleção sobre os povos indígenas do Brasil.
Entre outras coisas, será necessário identificar as fotografias efetivamente relacionadas com os Kamayurá, as imagens duplicadas e as informações contextuais obtidas de outras fontes, como catálogos de exposições. As fotografias, digitalizadas em 2002 a partir de impressões, terão de ser novamente digitalizadas a partir dos diapositivos a cores originais para atualizar a sua qualidade. Os dois registos fílmicos foram convertidos para formato digital e estão disponíveis no canal YouTube do MNE. A sua redigitalização não será possível no âmbito deste projeto.
Será também necessário analisar a informação sobre a visita de Bandeira aos Kamayurá, organizando os testemunhos recolhidos pelo PI e outros membros da equipa, artigos de jornais, livros e catálogos.
A não utilização de imagens da coleção do povo indígena Kamayurá no Museu Nacional de Etnologia na fase inicial da comunicação do InDigit deve-se ao facto de o projeto estar a tentar saber, entre outras coisas, se, segundo os Kamayurá, estas imagens podem ser divulgadas e, em caso afirmativo, quais e em que contexto.