© Museu Municipal Santos Rocha
‘Descolonizar museus e colecções coloniais é muito mais do que devolver’ objectos, colecções ou partes de monumentos, IHC - Universidade de Évora / investigador IN2PAST Elisabete Pereira contada Agência noticiosa portuguesa Lusa no que respeita ao conferência de encerramento do projeto TRANSMAT - Materialidades Transnacionais, que decorreu na passada semana no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz, Portugal. Em projeto TRANSMAT, O museu acolheu também a inauguração da exposição ‘Enfrentar o legado colonial no Museu’.’.
O principal objetivo do projeto TRANSMAT - Materialidades Transnacionais (1850-1930): Restaurar Colecções e Ligar Histórias é a produção de novos conhecimentos sobre a história das colecções coloniais, como as existentes nos parceiros do projeto Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e Museu Santos Rocha - que a equipa liderada por Elisabete Pereira conseguiu documentar ao longo de quatro anos -, mas também sobre os complexos processos da sua construção, e sobre os perfis e trajectórias dos agentes envolvidos, identificando práticas culturais/científicas e conhecendo melhor os objectos e os seus percursos de vida.
Durante a Conferência Internacional ‘Descolonizar Museus e Colecções Coloniais: Towards a Transdisciplinary Agenda and Methods’, cerca de 70 participantes oriundos de Angola, Bélgica, Brasil, Canadá, Croácia, Equador, Alemanha, Indonésia, Itália, Quénia, Peru, Holanda, Uganda, Reino Unido, EUA, Zâmbia, África do Sul, Espanha, Tanzânia e Portugal, debruçaram-se sobre a complexidade deste processo de diálogo necessário entre todos os agentes envolvidos, no sentido de apreender os múltiplos significados ao longo do tempo nos vários espaços em que as colecções coloniais circularam, revelando as conexões entre histórias locais e nacionais em contextos transnacionais.
A conferência de encerramento do projeto TRANSMAT realizou-se no Auditório Madalena Biscaia Perdigão, no Museu Municipal Santos Rocha, de 12 a 14 de março de 2025. A exposição ‘Enfrentar o legado colonial no Museu’, uma intervenção na museografia de 2014 da Sala de Etnografia do museu, que estará patente até ao final de outubro, foi inaugurada na quarta-feira, 12 de marçoth.
A instalação, concebida pelo arquiteto Miguel Figueira, convida os visitantes a escreverem os seus comentários nos vidros das vitrinas que contêm parte da coleção colonial do museu, ‘pondo assim em ação metodologias transdisciplinares’, diz Elisabete Pereira. Os participantes da conferência foram dos primeiros a pegar numa caneta e a partilhar as suas opiniões sobre os artefactos, a exposição, a museografia de 2014 ou os conteúdos do projeto de investigação.
‘Esta intervenção faz parte de um processo contínuo de reinvenção do “Ocidente”?’, ‘primeira etapa da objectificação’, ‘pequeno tambor”.”a olhar para pertences que não nos pertencem...’ (‘olhando para objectos que não nos pertencem...’) são algumas das frases que escolheram. Veja a galeria abaixo.
© Manuelina Duarte
© Museu Municipal Santos Rocha
© Museu Municipal Santos Rocha
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