A equipa do CLIMACT-CH, projeto bilateral de investigação do IN2PAST/ UÉvora e da Casa de Oswaldo Cruz/ Fiocruz, já está em contacto com o Setor de Arqueologia, Património e Museus da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, disponibilizando-se para apoiar o registo do levantamento dos impactes no património cultural, e para trabalhar com as autoridades e a comunidade no desenvolvimento de estratégias de adaptação e preparação para eventos futuros.
O património cultural do Rio Sado (Alcácer do Sal/Grândola, na sub-região do Alentejo Litoral) é um dos quatro sítios selecionados, no Brasil e em Portugal, para a implementação de um sistema de gestão de riscos climáticos para o património material e imaterial, a desenvolver em conjunto com as comunidades locais. Na sequência das tempestades Kristin e Leonardo que assolaram Portugal, dezenas de monumentos, museus, igrejas e sítios foram também afetados em todo o país, gerando danos significativos. Em Alcácer do Sal, o cais palafítico da Carrasqueira, obra-prima da arquitetura popular, ficou parcialmente destruído.
O projeto CLIMACT-CH – Impactos das mudanças climáticas para o património cultural material e imaterial: um estudo Brasil-Portugal (FIOCRUZ/0004/2025) foi uma das candidaturas aprovadas no âmbito do Programa de Excelência em Pesquisa Internacional da Casa de Oswaldo Cruz (PROEP-INTER 2025), através do Concurso 2025 para cooperação científica entre Brasil e Portugal, lançado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Casa de Oswaldo Cruz (COC), no Brasil.
O objetivo deste projeto, alinhado com o eixo temático “Memória como Direito”, é monitorizar e avaliar os impactes das alterações climáticas no património material e imaterial de quatro casos de estudo localizados em ambos os países, de reconhecido valor cultural para a sociedade, e que se encontram vulneráveis a múltiplos riscos suscetíveis de comprometer valores tangíveis e intangíveis.
Os sítios selecionados são: o conjunto histórico da Fundação Oswaldo Cruz, o sítio misto de Paraty e Ilha Grande (ambos no estado do Rio de Janeiro), o Colégio do Espírito Santo, em Évora, e o património cultural do Rio Sado (Alcácer do Sal/ Grândola). A abordagem adotada consiste na implementação de um ciclo de gestão de riscos, suportada por uma ampla equipa multi e interdisciplinar, em estreita articulação com as comunidades culturais associadas, que participarão no reconhecimento, identificação e avaliação dos fatores de risco existentes, bem como na definição de estratégias de mitigação e adaptação.
A relevância deste projeto no contexto do IN2PAST reside na sua forte componente de ciência cidadã, prevendo-se o envolvimento ativo das comunidades ao longo de todo o processo, assumindo o seu papel enquanto fontes diretas de valores imateriais, saber-fazer e tradições, associados à memória, às práticas, e à identidade cultural e ambiental destes sítios. Espera-se também que o CLIMACT-CH contribua para a definição de políticas públicas ambientais e para estratégias de gestão de riscos que integrem efetivamente as vozes e os conhecimentos das comunidades.
Perante a intensificação de condições climáticas extremas, o património material e imaterial encontra-se em risco, em particular nos casos de estudo localizados em zonas costeiras. Aliando a produção científica à justiça climática, este projeto pretende recolher dados que permitam mapear, monitorizar e projetar os efeitos das alterações climáticas nestes territórios, bem como compreender de que modo esses impactes afetam o modo de vida das comunidades locais. Paralelamente, o CLIMACT-CH procurará identificar soluções e construir futuros possíveis que não apaguem o passado, mas que dele se alimentem para projetar formas mais justas, sustentáveis e plurais de habitar o planeta. stas, sustentáveis e plurais de habitar o planeta.
As instituições coordenadoras deste projeto são a Fundação Oswaldo Cruz, através da Casa de Oswaldo Cruz, com Carla Coelho como investigadora responsável (IR), e a Universidade de Évora, através do IN2PAST, com António Candeias como IR e Teresa Reis como co-IR, ambos do Laboratório HERCULES –UÉvora
O projeto conta com a participação de investigadores e investigadoras de outras instituições, incluindo, do lado do Brasil, o Ministério da Cultura, o Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, a Universidade Estadual de Campinas, o Centro Universitário UNA (Minas Gerais), a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; e, do lado de Portugal, o _ARTERIA_Lab, o Instituto de Ciências da Terra (ICT) e o Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia para o Sistema Terra e Energia (CREATE), da UÉvora; o Iscte-IUL e o Município de Alcácer do Sal.
Outros investigadores/as do IN2PAST fazem também parte da equipa, nomeadamente Ruy Llera Blanes (CRIA – Iscte), Natália Melo (IHC – UÉvora) e, do HERCULES – UÉvora, Ana Teresa Caldeira, Carlo Bottaini, Cátia Salvador, Fabio Sitzia, José Mirão, Leonel Alegre, Mathilda Coutinho, Rosário Martins, Sara Valadas e Sílvia Arantes.
Com um financiamento atribuído de € 124.615, o CLIMACT-CH teve início formal em janeiro de 2026 e terá a duração de três anos. Nesta fase de arranque, as equipas encontram-se em processo de articulação e consolidação, familiarizando-se com o plano de trabalho e desenvolvendo estratégias de implementação adaptadas aos diferentes territórios. Mais informações e resultados preliminares serão divulgados em breve.
Centro histórico de Paraty, estado do Rio de Janeiro, Brasil © Filipo Tardim, sob licença CC-BY-SA-4.0