Missão ao Museu de Sévres, em França

A equipa 2LEGACY estuda as cerâmicas portuguesas de Charles Lepierre

Projeto exploratório IN2PAST 3ª edição, 2024-2025

13/3/2025

Uma equipa interdisciplinar do Projeto 2LEGACY, financiado pelo IN2PAST, deslocou-se à Manufacture et Musée Nationaux de Sèvres, nos arredores de Paris, França, no início de fevereiro, para estudar a coleção de cerâmica portuguesa de Charles Lepierre.

Esta coleção científica foi enviada para o Museu de Sévres em 1897 pelo químico francês radicado em Portugal, que reuniu matérias-primas e objectos representativos da indústria cerâmica portuguesa a pedido de Édouard Garnier, conservador do museu.

O projeto 2LEGACY: ‘Explorando o papel das matérias-primas no artesanato cerâmico português para trazer o legado de Lepierre para o futuro’ tem como objetivo explorar o papel da argila endógena na produção tradicional de cerâmica, tanto historicamente, com base no legado de Lepierre, como nas práticas contemporâneas, com as cidades de Estremoz e Barcelos a servirem de ‘laboratórios vivos para explorar estratégias baseadas no conhecimento que valorizem o património e regenerem a produção artesanal.

A equipa de investigação foi recebida por Christine Vivet-Peclet, conservadora da coleção europeia (1800-1945) na Sèvres - Manufatura e Museu Nacional (SMMN), e a arquivista Lara Cavallo. O investigador principal (PI) do 2LEGACY, cientista da conservação Mathilda Coutinho, co-PI e geólogo Patrícia Moita, e cientista da conservação Catarina Miguel, do HERCULES - Universidade de Évora / IN2PAST, juntamente com Fernando Castro, engenheiro de materiais da Universidade do Minho, analisaram as matérias-primas e as tecnologias utilizadas na produção cerâmica portuguesa, destacando o papel da argila endógena do século XIX, enquanto o historiador e museólogo Isabel Maria Fernandes (Lab2PT - Universidade do Minho / IN2PAST) trabalhou na documentação e inventário da coleção.

Análises com um espetrómetro XRF portátil e imagens hiperespectrais (HSI) forneceram informações valiosas sobre a composição química e a paleta de cores. Ainda no âmbito da missão, Ana Fonseca e Inês Crujo, do Município de Estremoz, estudaram e fotografaram a coleção de cerâmica de Estremoz.

A SMMN, Município de Estremoz (Alentejo, Portugal) e a ADOE (Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz), fundada por Inês Crujo, são instituições parceiras do projeto 2LEGACY, assim como o Museu de Olaria de Barcelos (Norte de Portugal).

Da esquerda para a direita: Catarina Miguel, Inês Crujo, Ana Fonseca, Mathilda Coutinho, Patrícia Moita, Fernando Castro e Isabel Maria Fernandes.