Seminário Internacional do Projeto HELP

Arqueologia e memória dos campos de concentração

26 e 27 de outubro, em Barrancos

Seminário Internacional

26-27/10/2024

A partir das 9h30

Centro Interpretativo do Barranquenho

Organização

Xurxo Ayán Vila (IHC – NOVA FCSH / IN2PAST) e Dulce Simões (INET-md – NOVA FCSH)

Partilhar experiências e inspirar a intervenção arqueológica prevista para o primeiro semestre de 2025 são os objectivos do Seminário Internacional do projeto HELP, ‘Arqueologia e Memória dos Campos de Concentração’, que se realiza em Barrancos, no Alentejo, nos dias 26 e 27 de outubro, reunindo especialistas de renome na área da arqueologia dos campos de concentração do Brasil, Portugal, Espanha e Uruguai.

Dirigido não só a especialistas e à comunidade local mas a todos os interessados e interessadas, o seminário decorrerá no Centro Interpretativo do Barranquenho, com um jantar no sábado, na Sociedade Recreativa Artística Barranquense, com cante alentejano, o canto polifónico do Alentejo declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, e poesia.

Na tarde de domingo, os/as participantes visitarão a Herdade da Coitadinha, onde haverá um lanche-convívio. A Herdade da Coitadinha albergou um dos dois campos de refugiados de Barrancos estudados pelo projetoHELP – Heritage, Environment, Liberty and People. Arqueologia dos campos de refugiados espanhóis em Barrancos, Alentejo (1936), sendo o outro As Russianas.

A sessão de abertura contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Barrancos, Leonel Rodrigues, da vereadora da Cultura, Cláudia Costa, do diretor-coordenador da EDIA, Diogo Nascimento, e do investigador responsável (IR) do projeto, Xurxo Ayán Vila (IHC – NOVA FCSH / IN2PAST). Os oradores da reunião de dois dias incluem, além do IR e da co-IR, Dulce Simões (INET-md – NOVA FCSH), por ordem alfabética:

  • Angélica Vedana, investigadora do CRIA – NOVA FCSH / IN2PAST;
  • Candela Martínez Barrio, arqueóloga do Cabildo de Gran Canaria (Conselho Municipal da Gran Canaria), Espanha; coordenou numerosas exumações de vítimas do franquismo, nomeadamente no campo de concentração de Castuera (Badajoz, Espanha);
  • Carlos Piriz, historiador, professor associado de História Contemporânea, Universidad de Cádiz, Espanha;
  • Felipe Mejía, diretor do projeto arqueológico do campo de concentração de Albatera (Alicante, Espanha);
  • Luis Antonio Ruiz Casero, historiador, investigador da Universidade Complutense de Madrid, Espanha, Grupo de Investigación Complutense de la Guerra Civil y el Franquismo;
  • Márcia Hattóri, arqueóloga, investigadora do Instituto de Ciências do Património, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Espanha;
  • Pedro Fermín Maguire, arqueólogo, Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil);
  • Tânia Casimiro, professora de Arqueologia na NOVA FCSH, investigadora do HTC – NOVA FCSH.

ENTRADA LIVRE (sujeita à capacidade do espaço)

Organizações colaboradoras:

Câmara Municipal de Barrancos, Museu Municipal de Arqueologia e Etnografia de Barrancos, EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, Parque Natural de Noudar.

Cinco objetivos principais do projeto HELP:

  1. Aproximar-se da materialidade dos campos de refugiados republicanos de 1936 em Barrancos (Portugal/ Baixo Alentejo), de modo a reconstruir o quotidiano e as condições de vida dos seus ocupantes, a partir do cruzamento da documentação arqueológica com testemunhos orais e documentos de arquivo.

  2. Realizar um estudo arqueológico exaustivo desta paisagem fronteiriça para reconstituir a sua evolução ao longo do processo histórico, tendo em conta que prevalece atualmente uma abordagem centrada na ecologia e no ambiente, conforme à promoção da zona como parque natural. A intenção da equipa é produzir um relatório rigoroso que recupere o seu estatuto de "lugar de memória".

  3. Integrar o imaginário coletivo das comunidades locais, analisando a memória preservada entre as novas gerações (portuguesa e espanhola) e incluindo as populações no próprio processo de investigação (participação cidadã).

  4. Contribuir para o desenvolvimento local e sustentável desta zona rural deprimida do Baixo Alentejo, servindo de base a novos modelos de promoção da região, como o "turismo de memória", ligando o passado traumático ao presente, numa altura marcada por novos fluxos de refugiados e pela ascensão do neofascismo.

  5. Enquanto instrumento educativo, promover os direitos humanos e a educação para a paz, recuperando os valores da solidariedade e da hospitalidade transfronteiriça, tão necessários para o futuro.