Na segunda-feira 16 de setembro, é inaugurada a exposição "Do que um homem é capaz – o acervo documental de José Mário Branco", na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, no 'campus' de Campolide, às 18 horas.
Aberta até 18 de outubro, com entrada livre, a exposição mostra o espólio do cantor e compositor, que foi confiado pela sua família à NOVA FCSH (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas), e é mantido através de uma parceria entre o INET-md (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança) e o CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / IN2PAST – Laboratório Associado.
Esta exposição centra-se no espólio documental físico e digital de José Mário Branco (JMB/ 1942-2019), compositor, letrista, intérprete, arranjador e produtor discográfico que influenciou profundamente o panorama musical português.
Durante o exílio em França (1963-1974), começou a organizar pastas onde guardava documentação relacionada com as várias atividades em que estava envolvido, mantendo esta prática até ao fim da sua vida. Anos mais tarde, decidiu organizá-las em caixas de arquivo, que mantinha na sua residência.
Dada a colaboração que estabeleceu com o CESEM e o INET-md entre 2014 e 2019, a família decidiu confiar esta documentação à NOVA FCSH, para ser preservada, catalogada e estudada, e para dar continuidade ao trabalho de digitalização e disponibilização pública iniciado pelo Arquivo José Mário Branco, lançado em 2018, sob a coordenação de Manuel Pedro Ferreira. Para o efeito, foi criado o Centro de Estudos e Documentação José Mário Branco – Música e Liberdade (CEDJMB-ML), com Salwa Castelo-Branco como presidente da comissão científica.
Num inventário efetuado em 2021, foram identificadas 310 pastas, acondicionadas em 57 caixas. JMB poderia ter pré-selecionado os materiais a arquivar em função da sua maior ou menor “nobreza” artística, mas não o fez: a par de partituras, tabelas de acordes, letras e mapeamentos de concertos, as cerca de 20.000 folhas da coleção incluem listas de contactos telefónicos, recibos e orçamentos, correspondência variada com editoras, postais, contratos, guiões de séries animadas, entre outros tipos de documentos.
Esta exposição pretende oferecer uma breve amostra da riqueza e variedade deste acervo e dos seus diversos tipos de materiais, organizados nas seguintes secções:
1. Produção fonográfica – documentação relacionada com a produção discográfica
2. Teatro, cinema e televisão – documentação relativa a atividades nestes domínios
3. Atividade política – documentação relacionada com o percurso cívico e político de JMB
4. Arquivo fonográfico – suportes físicos e objetos afins.
O CEDJMB-ML convida-o agora a entrar neste universo e, através dele, a vislumbrar "aquilo de que um homem é capaz".