Arranca a intervenção no conjunto da Gare Marítima de Alcântara

Pintura mural para comunicar uma mensagem social

Público destaca restauro dos murais de Almada e Centro Interpretativo

05/01/2026

Tanto na gare marítima da Rocha do Conde d'Óbidos como na de Alcântara, Almada Negreiros "faz pintura mural para comunicar uma mensagem social", diz a historiadora de arte Mariana Pinto dos Santos ao jornal Público, salientando que "através dela enaltece o povo anónimo, as mulheres; fala da guerra, da emigração, das despedidas, põe casais a beijarem-se na rua quando o regime o proibia…”.

Mariana Pinto dos Santos fala ao jornal diário nacional a propósito da intervenção nos murais de Almada na Gare Marítima de Alcântara, que deverá começar neste mês. Investigadora no Instituto de História da Arte (IHA) – NOVA FCSH / IN2PAST, dirige o Centro de Estudos e Documentação Almada Negreiros – Sarah Affonso (CEDANSA) , é responsável pela conceção dos conteúdos e pela coordenação científica do Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas, que abriu ao público em abril de 2025.

"É muito significativo que, na Rocha [do Conde d'Óbidos], Almada pinte aquelas varinas africanas varinas e as ponha no centro de um dos trípticos. E fá-lo numa linguagem muito gráfica, com elementos cubistas e pós-cubistas, que está muito longe do neogótico a que a encomenda pública do Estado Novo estava habituada", explica a investigadora.

Num artigo de Lucinda Canelas (texto) e Rui Gaudêncio (fotografia), em destaque na primeira página da edição de 24 de dezembro, Mariana Pinto dos Santos sublinha ainda que Almada Negreiros transforma "uma varina negra varina num monumento" e que "não há outra obra deste período em que o corpo negro seja tratado com tanta dignidade, nem com tanto protagonismo".

Na Gare Marítima de Alcântara, onde deve agora começar a intervenção de restauro, os murais de Almada são menos obviamente subversivos, mas ainda assim confrontacionais e insubordinados. Leia o artigo do Público completo para saber mais e o depoimento de Mariana Pinto dos Santos sobre a importância desta obra única no panorama português do século XX e a relevância do Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas.

IMAGEM Da esquerda para a direita: Subdiretora Adjunta de Investigação Cristina Brito; Manuel Pedro Ferreira, do CESEM; e António Candeias, do HERCULES
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