"Confrontar o Legado Colonial no Museu" é uma intervenção na atual museografia da Sala de Etnografia do Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz, que reflete parte dos resultados do projeto de investigação TRANSMAT – Materialidades Transnacionais (1850-1930): Reconstituir Coleções e Conectar Histórias. A inauguração tem lugar no dia 12 de marçothde 2025, às 18 horas, primeiro dia da Conferência Internacional TRANSMAT | IN2PAST 2025"Decolonising Museums and Colonial Collections: Towards a Transdisciplinary Agenda and Methods".
A Sala de Etnografia do Museu Municipal Santos Rocha (MMSR) expõe parte da coleção de 250 artefactos trazidos de Timor e Angola por um militar, beneficiando dos contextos do colonialismo durante os finais do século XIX e início do século XX. Na intervenção, que estará patente até 31 de outubro, o vidro das vitrinas que contêm os artefactos, e que agora contam parte das suas histórias, é utilizado como frente de abertura para o diálogo público sobre o legado colonial nos museus em Portugal.
Concebida pelo arquiteto Miguel Figueira, a instalação é "propositadamente 'inacabada' ou em curso", explica Elisabete Pereira (IHC – Universidade de Évora / IN2PAST), investigadora responsável (IR) do TRANSMAT: os participantes e o público do museu serão convidados a escrever os seus comentários sobre os objetos, a exposição, os conteúdos do projeto de investigação e os conteúdos da museografia de 2014 sobre o vidro.
Metodologias transdisciplinares em ação
Até ao final de outubro, haverá atividades educativas, conversas e sessões que convidam à participação de todos os públicos na construção de novas abordagens às coleções do MMSR.
A intervenção propõe uma reflexão sobre a história da coleção de etnografia do MMSR, o seu complexo processo de construção, as pessoas envolvidas e os seus contextos, a identificação dos vários níveis de práticas culturais e científicas, a compreensão dos objetos através dos seus itinerários e os múltiplos significados que receberam ao longo do tempo nos espaços onde circularam. Mais do que uma exposição de objetos, apresenta a sua história e as questões levantadas pelo processo de produção de conhecimento.
O projeto TRANSMAT, uma parceria entre o Laboratório Associado IN2PAST, o Instituto de História Contemporânea e a Universidade de Évora, com o Museu Nacional de Arqueologia e o MMSR, pretende documentar as coleções transnacionais de museus arqueológicos fundados no final do século XIX, onde as coleções etnográficas eram interpretadas de acordo com a prática científica ocidental, que utilizava uma narrativa evolutiva e racializada.
O projeto TRANSMAT – Materialidades Transnacionais (1850-1930): Reconstituir Coleções e Conectar Histórias visa compilar e sistematizar dados académicos sobre a circulação de bens culturais e as suas implicações culturais, sociais e políticas. O IN2PAST participa neste projeto, liderado pelas investigadoras do IHC – UÉvora Elisabete Pereira (IR) e Maria de Fátima Nunes (co-IR).
O projeto TRANSMAT é financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. com a referência PTDC/FER-HFC/2793/2020
© Miguel Figueira