Exposição de um ano em Leiria com curadoria de investigadoras do IN2PAST

'Artistas na Fábrica': três neorrealistas testemunham a dureza da vida na fábrica

A historiadora de arte Raquel Henriques da Silva e a antropóloga Emília Margarida Marques realizam visitas guiadas a partir de outubro de 2024

Exposição

15 junho 2024 – 15 junho 2025

9h30 – 17h30 (Segunda-feira a Domingo)

m|i|mo - museu da imagem em movimento

Entrada livre

Aberto a todos/as

Curadoria

Raquel Henriques da Silva (IHA – NOVA FCSH / IN2PAST)
Emília Margarida Marques (CRIA – Iscte / IN2PAST)

Durante a Segunda Guerra Mundial e no contexto da afirmação do neorrealismo nas artes plásticas, três jovens artistas, Manuel Filipe (1908-2002), Tereza Arriaga (1915-2013) e Jorge de Oliveira (1924-2012), criaram, na região de Leiria, um conjunto de obras de grande qualidade e importância que demonstram o seu empenho em testemunhar as condições de trabalho dos operários fabris. Estas obras de arte são o centro da exposição Artistas na Fábrica), Tereza Arriaga, Jorge de Oliveira, Manuel Filipe, 1943-1945, com curadoria das investigadoras do IN2PAST Raquel Henriques da Silva (IHA – NOVA FCSH) e Emília Margarida Marques (CRIA – Iscte), patente no m|i|mo – museu da imagem em movimento, em Leiria, até 15 de junho de 2025.

A antropóloga Emília Margarida Marques já realizou duas visitas guiadas em outubro. A historiadora de arte Raquel Henriques da Silva convida-o para a sua primeira, no dia 26 de outubro, às 15 horas. O programa associado à exposição, que se prolonga por um ano, inclui ainda conversas, mesas-redondas e outras iniciativas, a anunciar brevemente.

O impressionante conjunto de desenhos a carvão de Manuel Filipe “representa a dureza, o sofrimento e a falta de esperança de um operariado oprimido”. A partir da observação direta, Tereza Arriaga realizou dezenas de retratos de crianças operárias da Nacional Fábrica de Vidros – Marinha Grande, “um documento extraordinário da dureza das suas vidas sem infância, praticamente inédito e que será exposto pela primeira vez na totalidade”. Também a partir da observação direta, Jorge de Oliveira desenhou na fábrica de cimento de Maceira-Liz, sonhando que as suas dezenas de desenhos pudessem servir de base à criação de um grande mural, semelhante aos dos pintores mexicanos que admirava.

A exposição culmina com uma secção dedicada à cidade de Leiria, local onde se conheceram, onde participaram em exposições conjuntas e testemunharam o dinamismo cultural e político da cidade e das suas instituições – também visível na Marinha Grande –, que fazia jus a dinâmicas artísticas anteriores, das décadas de 1920 e 1930, e refletia o ambiente de esperança do imediato pós-guerra. Apresenta ainda diversos documentos escritos, fotografias, filmes e fontes orais, que permitem contextualizar histórica e socialmente as obras, com particular destaque para as realidades fabris representadas, bem como para elementos relevantes da biografia dos artistas: a abordagem de Jorge de Oliveira ao trabalho do cimento, a receção inicial dos Desenhos negrosde Manuel Filipe, ou o notável percurso ativista e militante de Tereza Arriaga.

Esta exposição foi inicialmente concebida por João Bonifácio Serra (1949-2023), que a propôs à Câmara Municipal de Leiria, consciente da importância do trabalho desenvolvido por estes artistas em Leiria no contexto do neorrealismo português.

Saiba mais.

Foto de conjunto dos operários da Nacional Fabrica de Vidros, na Marinha Grande, que Tereza Arriaga desenhou. Em abaixo, sentados no chão, são visíveis os meninos aprendizes de vidreiro

Fotografia de grupo dos trabalhadores da Fábrica Nacional de Vidros, na Marinha Grande. Em baixo, sentados no chão, os rapazes que eram aprendizes de vidreiro. © Coleção do Museu do Vidro